O USO DAS ESCRITURAS POR RICHARD BAXTER NO MINISTÉRIO PASTORAL
Artigo Original: The Journal of Biblical Soul Care - Promoting the Sufficiency of God's Word through Biblical Counseling Scholarship
RICHARD BAXTER’S USE OF SCRIPTURE IN PASTORAL MINISTRY
Author: Rhenn Cherry
Edition: Fall 2022, Volume 6, p.27-44
O USO DAS ESCRITURAS POR RICHARD BAXTER NO MINISTÉRIO PASTORAL
Rhenn Cherry[1]
Introdução
Richard Baxter nasceu em 12 de novembro de 1615, em Rowton, Inglaterra, e foi batizado na Igreja da Inglaterra uma semana depois; contudo, não se converteu até os quinze anos de idade.[2] Quando menino, Baxter viveu com sua mãe, separado de seu pai, muito provavelmente em razão de dívidas de jogo contraídas por este. O pai de Baxter também foi batizado na Igreja da Inglaterra quando criança, mas não nasceu de novo até chegar à idade adulta. E foi seu próprio pai quem acabou se revelando o melhor professor de Baxter. O jovem Baxter foi particularmente impactado pela piedade de seu pai ao observar o descanso e a santidade do sábado.[3] O biógrafo Frederick Powicke confirmou que “seu pai, embora não fosse um erudito, ensinou-o a ler a Bíblia de tal maneira que ele adquiriu amor por ela, benefício do qual, desde então, sempre se recordou com gratidão”.[4] Após a morte de sua mãe e o novo casamento de seu pai, Baxter tornou-se próximo de sua madrasta e fez referência ao exemplo dela de oração fervorosa, desprezo pelo mundo, santidade e mortificação do pecado.[5]
Durante a infância, Baxter contraiu varíola, sofreu de resfriado e tosse crônicos, sangramentos nasais e expectoração de sangue. Sua natureza enfermiça levou-o a ficar profundamente absorvido pela percepção que tinha da vida após a morte, e ele se sentiu chamado a tornar-se pastor e comunicar a outros a esperança do evangelho.[6] Seu desejo de conduzir os perdidos da condenação eterna à adoração eterna viria, mais tarde, a tornar-se um tema importante em suas obras escritas.
Baxter foi ordenado pela Igreja da Inglaterra aos 23 anos de idade, e sua decisão de tornar-se pregador trouxe à tona a questão de sua conformidade ou não conformidade com o conteúdo do Livro de Oração Comum. Dois anos depois, viu-se solidário com os puritanos não conformistas e juntou-se a eles.[7] Não foi o conteúdo do Livro de Oração Comum que influenciou a decisão de Baxter de tornar-se não conformista; antes, foi sua observação de quão mal os puritanos eram tratados pelos bispos por se afastarem da ordem prescrita de culto.[8] O principal ministério pastoral de Baxter ocorreu na cidade de Kidderminster, onde ele chocou suas congregações ao pregar a doutrina do pecado original e contra o batismo infantil.[9] Foi ali que começou a catequizar famílias e indivíduos uma vez por ano, sendo isso seguido por um avivamento. Durante os últimos trinta anos de sua vida, Baxter não pôde servir como pastor devido à saúde debilitada e ao encarceramento.[10] Entretanto, durante esse período, escreveu prolificamente e terminou sua vida com 140 obras publicadas.[11]
O uso das Escrituras por Richard Baxter no ministério pastoral
Um exame das obras de Richard Baxter confirma seu uso das Escrituras no ministério pastoral e em seus escritos, nos quais enfatizou o exame de si mesmo, a busca dos perdidos com a mensagem do evangelho, a catequização de famílias e indivíduos e a prática da disciplina eclesiástica. Contudo, ele utilizava as Escrituras principalmente para explicar a motivação apropriada para o ministério pastoral, em vez de detalhar métodos para a realização desse ministério. A maior parte da avaliação bíblica neste artigo foi realizada a partir de seu livro mais conhecido, O Pastor Reformado, embora algumas outras obras escritas que Baxter dirigiu a todos os cristãos também tenham sido avaliadas quanto ao uso que fez das Escrituras em seu ministério pastoral.
Atente para si mesmo
Richard Baxter confirmou que, em 4 de dezembro de 1655, um grupo de pastores protestantes reuniu-se em Worcester, Inglaterra, e concordou formalmente em renovar uma prática do ministério pastoral e ensinar a fé às suas congregações por meio do catecismo.[12] Mais especificamente, esses pastores reuniram-se “para orar fervorosamente por três pedidos: perdão por sua negligência anterior; a ajuda especial de Deus na obra que agora se comprometiam a empreender; e o êxito de seu ensino renovado junto aos membros de suas igrejas”.[13] Richard Baxter apoiava as intenções do grupo, mas não pôde comparecer à reunião devido à saúde debilitada. Em vez disso, redigiu uma extensa correspondência aos seus irmãos na fé, resumindo sua própria motivação e sua abordagem geral ao ministério pastoral. Sua carta seria publicada um ano depois como O Pastor Reformado e se tornaria a mais conhecida de suas 140 obras publicadas.[14] Embora Baxter tenha lançado alguma luz sobre seus próprios métodos de organização e realização do ministério pastoral, O Pastor Reformado é muito mais um apelo por um compromisso renovado de ensinar os membros das congregações coletiva e individualmente do que um manual de instruções sobre como realizar aconselhamento em grupo ou individualmente.
As obras de Baxter começam, em sua esmagadora maioria, com lembretes para aqueles que exercem o ministério — sejam pastores, diáconos ou leigos — de que devem examinar a si mesmos à luz das Escrituras. Por exemplo, aproximadamente a primeira metade de O Pastor Reformado é dedicada ao desenvolvimento da necessidade do exame do caráter, da vigilância sobre si mesmo e do arrependimento para líderes atuais e aspirantes que responderiam ao chamado para o ministério.[15] Mesmo quando parecia avançar, em O Pastor Reformado, para uma seção sobre “como” supervisionar o rebanho, Baxter demonstrava a prioridade que atribuía à introspecção e voltava a enfatizar o autoexame das motivações para o exercício do ministério pastoral.[16] Baxter sustentava que o tema de O Pastor Reformado estava contido nas palavras de Atos 20.28, em que Paulo exortou os presbíteros de Éfeso: “Cuidem de vocês mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo os colocou como bispos, para pastorearem a igreja de Deus, que ele comprou com o seu próprio sangue”.[17] O duplo dever que Paulo comunicou aos presbíteros era que atentassem primeiro para si mesmos e, depois, para todo o seu rebanho.
Por exemplo, Baxter advertiu que o ministério em geral, e o ministério pastoral em particular, poderia ser prejudicado pelo pecado. Declarou que “o pecado não perdoado jamais nos permitirá descansar e prosperar” e citou Provérbios 28.13 como incentivo para que os líderes se arrependessem do pecado, publicamente quando apropriado.[18]
Baxter reconheceu a possibilidade muito real de que até mesmo pregadores que houvessem advertido fielmente muitas outras pessoas acerca do lugar de tormento eterno pudessem deixar de conhecer o Deus que salva. Para contrabalançar a imagem vívida de pregadores no inferno, apresentou o respaldo bíblico de Daniel 12.3 como encorajamento para aqueles que conduzem outros ao arrependimento e à fé.[19] Essa imagem bíblica dos servos sábios e obedientes de Deus brilhando eternamente como estrelas era certamente atraente. Contudo, Baxter imediatamente acrescentou uma forte admoestação para que os pastores examinassem a si mesmos quanto a terem ou não experimentado pessoalmente a glória do evangelho que fielmente proclamavam aos outros.[20]
Novamente, Baxter implorou aos pastores: “Atentem, portanto, primeiro para vocês mesmos. Certifiquem-se de que vocês sejam os adoradores que persuadem os outros a ser. Certifiquem-se, primeiro, de que creem naquilo em que diariamente persuadem os outros a crer. Certifiquem-se de que acolheram de coração Cristo e o Espírito Santo em sua própria alma antes de oferecê-lO aos outros.”[21] Ele citou as palavras de Paulo em Romanos 2.21-23 como uma advertência clara e específica contra o “pecado secreto” na vida de um pastor.[22] Baxter escreveu consistentemente contra a tendência pecaminosa de um líder da igreja de pregar aos outros a lei da Bíblia enquanto, deliberada e secretamente, ele próprio a transgride.
Baxter direcionou os pastores à advertência de Pedro em 2 Pedro 2.17-19 acerca dos falsos profetas e mestres e lembrou-lhes que viver uma vida de pecado secreto era uma indicação de seu próprio destino eterno.[23] Ele utilizou essa passagem para demonstrar quão facilmente os líderes podem ser vencidos pelo próprio pecado contra o qual pregam. Reconhecendo uma corrupção da autoridade no pastorado, advertiu: “Sim, é mais fácil julgar o pecado do que vencê-lo.”[24] Baxter desafiava consistentemente seus leitores a se entregarem a uma obediência que conduz à vida eterna, em vez de a uma rebelião secreta que conduz à morte eterna.
Baxter fez referência a Romanos 6.16 para reforçar seu apelo aos presbíteros para que examinassem a própria vida — especificamente, mediante um autoexame sincero de a quem o pastor verdadeiramente havia se submetido como escravo.[25] Ele incentivou os líderes a não darem espaço ao interesse próprio, ao dinheiro, à segurança e ao respeito como benefícios de seu ministério. Baxter citou essas tendências egoístas como evidência de que um pastor estava servindo ao senhor errado. Suas palavras eram incisivas: “Vocês acham que alguém pode lutar contra Satanás com todas as suas forças, sendo ele próprio servo de Satanás? Causará ele algum grande dano ao reino do diabo quando ele próprio é membro e súdito desse reino? Será ele fiel a Cristo, estando em aliança com Seu inimigo e não tendo Cristo em seu coração?”[26] Embora a principal preocupação de Baxter fosse a salvação dos próprios pastores, ele também se apressava em apontar os danos que um líder não regenerado poderia causar à igreja local e, em última instância, ao nome de Cristo.
Baxter intitulou o terceiro capítulo de O Pastor Reformado “A Supervisão de Nós Mesmos” e, nele, conduziu seus leitores pelos danos colaterais que pastores desobedientes podem causar às igrejas locais e, em última instância, ao nome de Cristo. Procurou motivar os líderes da igreja a serem diligentes em sua dependência do Senhor. Utilizou o apelo angustiado de Paulo em 2 Coríntios 2.16 — “Mas quem está capacitado para tanto?” —, bem como o anseio de Pedro pela piedade em 2 Pedro 3.11.[27] Baxter simplesmente reconheceu que pastores autoconfiantes fracassam e, por fim, trazem desprezo sobre a santidade de Cristo e de Sua Noiva.
Depois de abordar claramente, em O Pastor Reformado, a importância de os líderes da igreja experimentarem pessoalmente a graça salvadora de Deus, Baxter enfatizou o dever do pastor de estudar com o mesmo afinco para viver corretamente com que estudava para pregar corretamente.[28] Citou as palavras de Tiago 1.22-25, passagem popular em sermões, como fundamento de uma vida de santidade demonstrada pelos pastores fora do púlpito.[29] Segundo Baxter, parte de atentar para si mesmo envolvia pedir e aplicar a diligência concedida por Deus a fim de evitar uma vida descuidada diante da congregação.
Baxter utilizava com frequência exemplos negativos de liderança corrupta na Bíblia para demonstrar os danos que podem ser causados pelo comportamento escandaloso dos líderes designados por Deus. Fez referência à triste história de Eli, que fechou os olhos para o comportamento corrupto de seus filhos na administração dos santos sacrifícios do povo de Deus. Baxter citou as palavras de um profeta de Deus não identificado dirigidas a Eli em 1 Samuel 2.29 como parte do juízo de Deus sobre Eli e sua família.[30] Baxter esclareceu aos pastores que eles carregavam um fardo maior do que os demais homens quanto a lidar corretamente com a honra de ensinar a verdade de Deus, e isso envolvia viverem eles próprios de maneira irrepreensível. Advertiu que: “Quanto mais próximos os homens estão diante de Deus, maior é a desonra que nossas faltas Lhe causam. E essas incoerências serão atribuídas, ainda mais, por homens insensatos ao próprio Deus.”[31]
Baxter advertiu que a maledicência e a blasfêmia contra o santo nome de Deus resultavam dos pecados revelados dos pastores. Utilizou de maneira eficaz a história do pecado secreto do rei Davi e da subsequente revelação e do juízo desse pecado por Deus pela boca do profeta Natã, em 2 Samuel 12.11-14.[32] O quebrantamento e o arrependimento do rei Davi, não obstante, a desonra ao santo nome de Deus causada pelo pecado de Davi é a questão central da passagem. Baxter instigou ainda mais seus leitores a examinarem o próprio compromisso com a santidade e a glória do Deus a quem pregavam e lhes dirigiu uma série de perguntas contundentes: “Ó irmãos, poderiam seus corações suportar ouvir homens lançarem o esterco de suas próprias iniquidades no rosto de nosso santo Deus? Ou no rosto do Evangelho? Ou no rosto daqueles que temem ao Senhor? Não lhes partiria o coração pensar que todos os cristãos piedosos ao seu redor sofrerão a vergonha decorrente de seus atos maus?”[33]
A advertência de Baxter aos pastores para que atentassem para si mesmos culminou na conhecida e frequentemente pregada advertência de Jesus em Mateus 7.21-23.[34] Seu apelo sincero aos líderes da igreja não poderia ter sido mais claro: “Antes de tudo, vocês mesmos têm o céu a ganhar ou a perder. Esse é o seu objetivo, assim como conduzir almas à felicidade ou à miséria eternas. Portanto, vocês devem começar em casa e atentar primeiro para si mesmos. É possível que a pregação resulte na salvação de outros sem produzir santidade em nosso próprio coração ou em nossa vida.”[35] As palavras de Baxter lembravam constantemente seus leitores, fossem pastores ou leigos, de sua natureza depravada e de sua necessidade da misericórdia e da graça de Deus em Cristo Jesus.
Busque os perdidos com o Evangelho
Impulsionado por uma percepção, presente ao longo de toda a vida, da iminência de sua própria morte, Richard Baxter pregou e escreveu de modo constante acerca do chamado do evangelho para que o homem se arrependesse. Em “Orientações aos Pecadores Não Convertidos e Destituídos de Graça, para a Obtenção da Graça Salvadora”, Baxter examinou primeiramente a incapacidade moral do homem perdido de agradar a Deus por si mesmo, bem como a capacidade humana de compreender e escolher livremente entre o bem e o mal. Em seguida, Baxter recorreu a 2 Coríntios 5.18-20 como uma diretriz de Deus a todos os crentes, particularmente aos pastores, para que levassem a sério o ministério da reconciliação que lhes havia sido confiado.[36] O encargo de Baxter pelos perdidos ficou evidente quando descreveu a incumbência dada por Deus ao Seu povo: “Para obter o consentimento deles a esta graciosa aliança, Ele ‘confiou’ aos Seus ministros a ‘palavra da reconciliação’; ordenando-nos ‘que roguemos aos homens, como em lugar de Cristo e como se o próprio Deus lhes rogasse por nosso intermédio, que se reconciliem com Deus; e que lhes mostremos primeiro o pecado e a miséria deles, e proclamemos e ofereçamos o verdadeiro remédio’.”[37]
Em sua introdução dirigida a pastores e líderes leigos em O Pastor Reformado, o primeiro ponto principal de Baxter era “o dever inquestionável de todos os ministros da Igreja de catequizar e ensinar pessoalmente todos aqueles que estão submetidos aos seus cuidados”.[38] Em seguida, enumerou seis componentes da catequese, sendo que os quatro primeiros relacionavam explicitamente a instrução pessoal à evangelização. A primeira e a segunda afirmações de Baxter, respectivamente, eram: “As pessoas devem ser ensinadas nos princípios da religião e nas questões essenciais à salvação” e “Devem ser ensinadas nesses princípios da maneira mais edificante e proveitosa possível”.[39]
Depois de estabelecer a necessidade de os líderes da igreja atentarem para si mesmos, arrependerem-se dos pecados em sua própria vida e se aproximarem da obra do Senhor com humildade, Baxter exortou os pastores a buscarem os perdidos com o evangelho. Citou as próprias palavras do Senhor Jesus em Lucas 15.4 como exemplo de uma busca humilde, porém confiante, pelas ovelhas perdidas.[40] Baxter entendia que essa obra possuía uma natureza dupla. Sustentava que os presbíteros deveriam, em primeiro lugar, ensinar aos homens o bem supremo de conhecerem seu Criador, “abrindo-lhes os tesouros de Sua bondade e falando-lhes da glória que há em Sua presença, glória da qual todo o Seu povo escolhido desfrutará”.[41] Os homens perdidos devem primeiro contemplar a beleza de Deus e o tesouro de adorá-lO por toda a eternidade. Baxter sustentava que, uma vez que os homens perdidos fixassem o coração em Deus e no céu, “Todo o restante virá naturalmente”.[42] Uma vez mostrado aos homens perdidos o propósito correto de adorarem seu santo Criador, seria necessário mostrar-lhes o meio correto de alcançar essa salvação. Esse era o segundo passo de Baxter. É necessário mostrar às pessoas perdidas sua própria necessidade de redenção. Nesse ponto, Baxter citou o exemplo do profeta Ezequiel como atalaia dos indivíduos e sua advertência aos ímpios em Ezequiel 33.14-15.[43] Baxter estava atento à presença de ovelhas perdidas na congregação de cada pastor e incentivava os pastores dizendo que “enquanto houver forte probabilidade de que existam vários em nossa congregação que se enquadrem nessa categoria, devemos trabalhar em favor deles com todas as nossas forças”.[44]
No capítulo sete de A Cura da Depressão e da Tristeza Excessiva, intitulado “Depressão e Pecado para os Cristãos”, Baxter advertiu que muitos dos que afirmam ser cristãos são simplesmente ignorantes acerca do evangelho e do verdadeiro significado da graça.[45] Ele refutou a alegação antinomiana de que um cristão não precisa examinar sua própria fé e seu arrependimento, mas deve, em vez disso, questionar a própria justiça de Cristo.[46] Esse era um pensamento mundano que havia se infiltrado nas igrejas locais e, em resposta, era dever do pastor explicar claramente as verdades do evangelho e a esperança que os cristãos sinceramente arrependidos possuem na pessoa e na obra de Cristo. Citando o exemplo de Paulo em Filipenses 3.8, Baxter questionou a alegação de qualquer crente deprimido de que realmente havia rompido os vínculos com o amor carnal pelas coisas deste mundo.[47] Independentemente das circunstâncias em que um crente nascido de novo se encontrasse, qualquer perda terrena era “esterco” para alguém que havia abandonado tudo por Cristo.[48]
Baxter recorreu ao exemplo de Paulo, que ensinava tanto publicamente quanto de casa em casa, e concentrou-se no aspecto da advertência presente no ensino de Paulo em Colossenses 1.28,29.[49] Essa passagem também corroborava a afirmação de Baxter de que os pastores devem depender de Deus e submeter-se humildemente a Ele para que sejam capacitados em sua busca pelos perdidos. Baxter dirigiu aos pastores seu próprio desafio pessoal para que se concentrassem na busca pelos perdidos: “Parece-me que aquele que permite que um pecador vá para o inferno simplesmente por não falar com ele dá menos importância ao inferno do que o Redentor das almas. Portanto, seja quem for que você deixe de lado, não se esqueça dos não salvos. Digo novamente: concentre-se na grande obra da evangelização, seja o que for que você faça ou deixe de fazer.”[50]
Um dos componentes da ênfase de Baxter na busca pelos perdidos com o evangelho era a ignorância. Baxter sustentava que havia perdidos que não compreendiam o que era o evangelho e perdidos que não reconheciam que a necessidade do evangelho se aplicava a eles.[51] Como exemplo do primeiro tipo de ignorância — a falta de compreensão —, Baxter apelou aos homens sem instrução de sua época, com base em 2 Coríntios 4.3,4, para que considerassem sua negligência para com a santidade de Deus e Seu propósito para a vida deles.[52] Baxter fez questão de salientar a natureza satânica do obscurecimento da mente deles e apelou diretamente aos incrédulos para que não se resignassem à ignorância do evangelho com base em suas próprias limitações literárias, educacionais ou sociais. Baxter ensinava consistentemente que Deus havia providenciado a salvação para todos os homens, mas isso ainda exigia que pastores fiéis pregassem o evangelho aos perdidos.[53]
Ao tratar do segundo tipo de ignorância — a de não reconhecer a própria necessidade —, Baxter referiu-se ao exemplo de Nicodemos em João 3.3-5 como alguém altamente instruído nas Escrituras, mas que não compreendia como aquelas palavras se aplicavam à sua própria necessidade do evangelho.[54] Baxter sustentava que aqueles que estavam presos a esse tipo de ignorância, como Nicodemos, tinham maior dificuldade em se submeter a Cristo como Senhor:
Nicodemos é um exemplo vívido desse caso: governante em Israel e fariseu, e, contudo, não sabia o que significava nascer de novo. E o orgulho desses homens torna sua ignorância muito mais difícil de ser curada do que a dos demais; porque os impede de reconhecê-la e confessá-la. Se alguém procurasse convencê-los disso, diriam com desprezo, como os fariseus disseram a Cristo: “Acaso também somos cegos?”[55]
Baxter citou Hebreus 13.17, versículo comumente empregado como texto-prova para justificar a membresia da igreja e a submissão aos líderes eclesiásticos, em sua exortação aos pastores para que exercessem supervisão sobre seus rebanhos.[56] Entretanto, em vez de afirmar a autoridade pastoral, ele abordou a passagem sob a perspectiva da principal questão pela qual os líderes da igreja — verdadeiros pastores — prestariam contas ao Senhor: a vigilância sobre as almas de sua congregação. Por meio dessa referência bíblica, Baxter advertiu os pastores de que, embora não pudessem ser responsabilizados pela decisão de cada alma de aceitar ou rejeitar a salvação em Cristo, eram responsáveis por fornecer a cada pessoa de suas congregações uma explicação clara da mensagem do evangelho. E deveriam fazer isso de maneira constante e como prioridade principal. Incluindo-se entre os pastores aos quais escreveu em O Pastor Reformado, Baxter declarou: “A obra da conversão é a primeira e mais vital parte de nosso ministério.”[57]
Baxter apresentou um testemunho pessoal de seu próprio desejo de que os perdidos ao seu redor chegassem à fé salvadora em Cristo. “Ah, que tristeza! A miséria dos não convertidos é tão grande que exige nossa máxima compaixão. Eles estão presos à amargura e, até agora, não têm parte nem comunhão no perdão de seus pecados nem na esperança da glória.”[58] Baxter traçou uma analogia entre seu próprio encargo pelos perdidos e o do apóstolo Paulo, bem como com o propósito de Deus na pregação do evangelho, referindo-se ao testemunho de Paulo diante de Agripa em Atos 26.15-18.[59] Em O Pastor Reformado, Baxter chegou até mesmo a confessar aos seus leitores que frequentemente negligenciava seu próprio trabalho relacionado à edificação dos crentes de sua congregação em favor da busca pelas ovelhas perdidas que nela se encontravam. E Baxter sustentava que isso era correto; buscar os perdidos era a tarefa primordial no ministério de um pastor.
Ensine famílias e indivíduos
Richard Baxter utilizou as Escrituras para incutir nos pastores seu dever de ensinar e cuidar de indivíduos e famílias. Como exemplo do amor terno exigido dos líderes da igreja por seu povo, Baxter fez referência ao exemplo de amor paternal do apóstolo Paulo em Gálatas 4.19.[60] Como pais espirituais, os presbíteros deveriam demonstrar aos seus “filhos espirituais” que nada valorizavam — ganho ou conforto mundano — acima da salvação e da obediência daqueles que estavam sob seus cuidados. Contudo, segundo Baxter, o tamanho “da família” era um fator determinante para a eficácia dessa abordagem paternal ao ministério pastoral. A fim de estabelecer os relacionamentos apropriados necessários para ensinar indivíduos, Baxter acreditava que os pastores não deveriam tentar pastorear um rebanho grande demais. Se um presbítero não pudesse “supervisionar pessoalmente, de modo que pudesse ‘atentar para todo o rebanho’”, então Baxter considerava que a congregação era grande demais.[61]
Outro uso que Baxter fez das Escrituras foi o exemplo de Moisés em Êxodo 32.31,32, como líder sacrificial disposto a ter seu próprio nome apagado do livro da vida em favor da vida dos hebreus rebeldes que liderava.[62] Baxter desafiou os pastores a, primeiramente, amarem seus rebanhos: “Quando, então, as pessoas perceberem que vocês as amam sem fingimento, ouvirão o que vocês dizem — suportarão tudo quanto lhes pedirem — e os seguirão com maior disposição. E, quando uma ferida é infligida em amor, será aceita mais prontamente do que quando alguém profere uma palavra ofensiva meramente por malícia ou ira.”[63] Baxter defendia o estabelecimento de relacionamentos pessoais fundamentais com os membros da igreja, e seu investimento de tempo e sua abordagem sistemática ao ensino de famílias e indivíduos durante seu ministério, particularmente durante seu pastorado em Kidderminster, são reveladores e humilhantes para qualquer pessoa que considere os deveres de um pastor.
Uma compreensão da parte do ministério de Baxter pela qual ele se tornou mais conhecido — o ensino de indivíduos e famílias — encontra-se em quatro parágrafos consecutivos de sua própria introdução à O Pastor Reformado.[64] Esta é, talvez, a seção mais prescritiva do livro quanto a “como fazer”, mas o conteúdo propriamente dito que ele utilizava para instrução não é descrito em O Pastor Reformado.
Baxter iniciou essa breve seção de O Pastor Reformado com uma exortação para que os ministros realizassem fiel, imediata e eficazmente um ministério pessoal e familiar de ensino, seguida da garantia de Baxter de que reforma e avivamento ocorreriam nas igrejas.[65] Em seguida, confessou seu pesar por ter negligenciado seu próprio dever pastoral nessa área. “Por muito tempo estive convencido de seu valor, mas receava suas dificuldades. Eu não percebia com clareza suficiente quão importante ele realmente era. Imaginava que as pessoas desprezariam a ideia de participar dele e que pouquíssimas o desejariam. Além disso, não pensava ser capaz de realizá-lo, pois já carregava tantos outros fardos.”[66] Baxter relatou seu arrependimento pessoal diante do Senhor por ter se esquivado dessa responsabilidade pastoral de ensinar pessoalmente os membros de sua congregação; então, pôs-se a caminho e começou a catequizar seu rebanho — família por família e pessoa por pessoa. E o Senhor abençoou seus esforços. “Quando experimentei a catequese pessoal e o ensino daqueles que estavam sob meus cuidados, descobri que as dificuldades sobre as quais havia pensado praticamente não existiam — exceto por minha condição física de saúde debilitada. Em vez disso, descobri que os benefícios e o consolo dessa obra eram tais que agora eu não deixaria de realizá-la por todas as riquezas do mundo.”[67] Baxter passou, então, a uma descrição estrutural e logística de como organizava e realizava a catequese das famílias e dos indivíduos de seu rebanho.
Quando Richard Baxter escreveu O Pastor Reformado, em 1655, durante seu segundo pastorado em Kidderminster, sua congregação era composta por cerca de oitocentas famílias.[68] Baxter revelou humildemente aos seus leitores seu próprio método de estruturar e realizar o ensino de famílias e indivíduos em sua igreja:
Não tenho a pretensão de prescrever regras ou modelos para vocês, nem de incentivar o uso do mesmo catecismo ou das mesmas exortações que utilizamos. Mas permitam-me dizer-lhes o que faço em minha paróquia. Passamos as segundas e terças-feiras, desde a manhã até aproximadamente o anoitecer, atendendo cerca de quinze ou dezesseis famílias por semana nessa obra de catequese. Com dois assistentes, percorremos toda a congregação — cerca de oitocentas famílias — e ensinamos cada família ao longo do ano. Nenhuma família jamais se recusou quando pedi que viesse me visitar. E encontro mais sinais externos de êxito entre aqueles que vêm do que em toda a minha pregação pública. Devido ao número de pessoas, sou obrigado a receber uma família inteira de uma só vez, durante uma hora para cada uma. O secretário da igreja vai adiante, com uma semana de antecedência, para organizar os horários. Também mantenho anotações sobre o que cada membro da família aprendeu, para que eu possa continuar a ensiná-lo sistematicamente.[69]
O próprio relato de Baxter é, ao mesmo tempo, solene e humilhante. Ele demonstra um compromisso evidente de sua parte, como pastor, de edificar o corpo local confiado aos seus cuidados, mas também fornece evidências da disposição da congregação em receber as verdades da Palavra corretamente ensinadas. É impressionante que uma preparação e execução tão detalhadas de um ministério pudessem ser realizadas no contexto do século XVII, com transporte e comunicação limitados segundo os padrões atuais.
Baxter sustentava firmemente que o próprio desígnio de Deus para a família — os lares individuais — era que ela fosse um lugar de adoração.[70] Ele se opunha a qualquer esforço para fazer os pais se sentirem incapazes de conduzir a adoração no lar: “Até hoje, jamais li ou ouvi qualquer cristão instruído afirmar sequer uma vez que Deus tenha proibido as famílias de adorá-lO solenemente; portanto, considero desnecessário provar uma negativa quando não se conhece homem algum que sustente a afirmativa.”[71] Ele aplicou a parábola dos talentos, em Mateus 25.14-30, e a parábola dos lavradores maus, em Lucas 20.9-16, às “vantagens e oportunidades” singulares concedidas aos pais pelo próprio Deus, a quem um dia prestariam contas.[72] Baxter considerava o desígnio de Deus para a adoração familiar literalmente um “talento”: “As vantagens e oportunidades anteriormente mencionadas são talentos concedidos por Deus, os quais aqueles que os recebem têm a obrigação de desenvolver fielmente para Deus; portanto, as famílias que possuem tais vantagens e oportunidades para a adoração solene a Deus estão obrigadas a empregá-las fielmente para Deus, adorando-O solenemente.”[73]
Contudo, a abordagem de Baxter ao ministério pastoral, conforme descrita em O Pastor Reformado, certamente não era a norma de sua época. Ela foi recebida como um desafio considerável até mesmo por seus contemporâneos de pensamento semelhante. Baxter chegou a receber objeções formais à primeira edição de O Pastor Reformado, às quais respondeu em um apêndice de suas edições posteriores.[74] Refletindo uma firme convicção quanto ao ensino tanto de indivíduos quanto de famílias, Baxter resumiu seu próprio propósito ao escrever O Pastor Reformado: “Como vocês sabem, esta tem sido toda a visão deste livro e, por trás dela, o programa de nossa própria igreja local: ensinar o catecismo — ou os princípios fundamentais da fé — a cada família da igreja local.”[75]
Pratique a disciplina eclesiástica
Richard Baxter utilizou as Escrituras para motivar líderes e membros da igreja a praticarem a disciplina eclesiástica. Começou com um chamado para que pastores e congregações se arrependessem de sua falta de disciplina eclesiástica. Baxter suplicou: “Se ao menos fosse compreendido quanto do ministério e da obra pastoral consiste realmente na orientação da igreja, haveria muito menos preconceito contra o exercício apropriado da disciplina. Pois ser contra a disciplina é ser contra o ministério pastoral; e ser contra o ministério pastoral é ser contra a Igreja; e ser contra a Igreja é ser contra Cristo.”[76] Baxter sustentava até mesmo que a negligência de um pastor em praticar a disciplina eclesiástica era uma obra do inimigo comparável à negligência da prática da pregação.[77]
Baxter reconheceu a eficácia da disciplina como um processo progressivo que vai da repreensão privada à repreensão pública, utilizando censura, arrependimento, oração, restauração ou exclusão da congregação, quando necessário.[78] Ele citou a instrução de Paulo ao jovem presbítero Timóteo, em 1 Timóteo 5.20, juntamente com Tito 2.15, para repreender publicamente os pecadores persistentes, a fim de que os demais temessem ao Senhor.[79] O aspecto público do arrependimento foi enfatizado por Baxter como um elemento persuasivo tanto para o crente penitente quanto para a congregação que testemunhava o ocorrido. Ele fez referência à repreensão pública do apóstolo Paulo ao apóstolo Pedro em Antioquia, em Gálatas 2.11-14, como lembrete de que nem mesmo os pastores estavam acima da repreensão pública por pecado não confessado.[80]
Nos casos em que pecadores persistentes eram repreendidos e se recusavam a se arrepender, Baxter citou as palavras de Paulo em 2 Tessalonicenses 3.6 como encorajamento para que pastores e congregações se afastassem de professos crentes impenitentes, na esperança de que se arrependessem e fossem restaurados ao rebanho.[81] Baxter instou os pastores a perseverarem no processo cansativo e desanimador da disciplina eclesiástica, apontando o exemplo bíblico de 2 Tessalonicenses 3.13-15, no qual decisões difíceis às vezes precisam ser tomadas pelos líderes da igreja para o bem do rebanho.[82] Ele reforçou esse ponto citando as instruções de Paulo em 1 Coríntios 5.11-13 para remover da igreja o mal não arrependido.[83] A pureza da Noiva de Cristo estava em jogo, e a disciplina eclesiástica era o processo ordenado por Deus para manter santo o Seu rebanho.
Em uma advertência a pastores e congregações contra trazerem sobre si mesmos a ira de Deus por uma prática negligente e descuidada da disciplina, Baxter referiu-se às duras palavras do Senhor Jesus em Apocalipse 2.20 à igreja de Tiatira.[84] Baxter acrescentou que a igreja se corrompe aos olhos do mundo “quando damos a entender que: (1) ser cristão é meramente uma questão de opinião, ou (2) a religião cristã não exige santidade maior do que as falsas religiões do mundo. Se, então, santos e ímpios são igualmente admitidos no mesmo aprisco, sem que o nome de Cristo os diferencie, difamamos Cristo por meio dessas ações, como se Ele fosse culpado delas.”[85] Ele também sustentava que a ausência de disciplina bíblica era enganosa e permitia que “os piores homens permanecessem sem censura”, acrescentando que “muitos cristãos honestos” se separariam e deixariam igrejas que permitissem que isso continuasse.[86]
Embora Baxter apoiasse explicitamente o uso biblicamente ordenado da disciplina eclesiástica, reconhecia que ela deveria ser conduzida com uma “mistura prudente de severidade e gentileza”.[87] Baxter advertiu contra uma disciplina severa que pudesse comprometer a eficácia do pastor em apresentar a verdade ao pecador. Contudo, foi rápido em salientar que a administração apropriada da disciplina exigia que o pastor, tanto quanto lhe fosse possível, conhecesse a condição espiritual de cada uma de suas ovelhas. Observando que a disciplina eclesiástica raramente era praticada, Baxter fez um apelo urgente para que os pastores iniciassem imediatamente essa prática negligenciada:[88] “E mal existe algo que possa ser chamado de disciplina eclesiástica em toda a terra. Confesso que jamais vivi em uma igreja local na qual uma única pessoa tenha sido publicamente admoestada, levada ao arrependimento público ou excomungada, mesmo pelas mais vis ofensas.”[89] Contudo, segundo Baxter, o fundamento para uma disciplina eclesiástica eficaz era estabelecido por meio de cada relacionamento individual que o pastor desenvolvia com os membros da congregação confiados aos seus cuidados. Ele sustentava que “primeiro eles precisam conhecer suas próprias congregações”.[90]
Conclusão
A abordagem de Richard Baxter ao ministério pastoral era fundamentada nas Escrituras e direta: “Assim, o método que pretendo seguir é: 1. orientar mentes ímpias e carnais acerca de como alcançar um estado de graça; e 2. orientar aqueles que possuem graça salvadora acerca de como utilizá-la, tanto nas partes contemplativas quanto nas partes ativas de sua vida.”[91] Ele desafiava consistentemente professos crentes, pastores e leigos igualmente, a examinarem primeiro a si mesmos em busca de evidências de uma vida regenerada antes de se envolverem no ministério aos outros. Baxter incentivava os cristãos a buscarem os perdidos ao seu redor com a mensagem do evangelho, encorajando especificamente os pastores a falarem de modo simples e claro aos seus rebanhos. Ele lembrava os pastores de seu dever de alimentar suas ovelhas coletiva e individualmente dentro da estrutura familiar que Deus havia estabelecido. Baxter incentivava os líderes da igreja a utilizarem os relacionamentos pessoais que desenvolviam com famílias e indivíduos durante a instrução e a realizarem o difícil trabalho de praticar a disciplina eclesiástica quando necessário.
As áreas do ministério pastoral de Richard Baxter examinadas neste artigo não representam uma avaliação exaustiva baseada em suas cento e quarenta obras. Uma área para pesquisas futuras seria o desejo de Baxter pela unidade tanto entre pastores quanto entre membros das congregações, conforme refletido em seus escritos. Seu uso das Escrituras para incentivar os pastores a manterem a unidade, concentrando sua pregação e instrução nas doutrinas centrais da fé cristã, merece ser avaliado.[92]
[1] Dr. Rhenn Cherry atua como professor adjunto de aconselhamento bíblico no Midwestern Baptist Theological Seminary e como Diretor de Finanças e Relações com Doadores da Association of Certified Biblical Counselors. Ele pode ser contatado pelo endereço [rcherry@mbts.edu].
[2] Irvonwy Morgan, The Nonconformity of Richard Baxter (Londres: Epworth Press, 1945), 38; Goeffrey F. Nuttall, Richard Baxter (Edimburgo: Thomas Nelson and Sons, 1965), 11.
[3] Morgan, 38; Nuttall, 7-8; Frederick J. Powicke, A Life of the Reverend Richard Baxter 1615-1691 (Londres: Jonathan Cape, Ltd., 1924), 15.
[4] Powicke, 15-17.
[5] Ibid., 19.
[6] Morgan, 39; Nuttall, 10-11; Powicke, 20. Baxter, Reformed, 8.
[7] Morgan, 39; Powicke, 20.
[8] Nuttall, 12-14; Powicke, 20-21.
[9] Morgan, 41; William L. Lamont, Richard Baxter and the Millenium: Protestant Imperialism and the English Revolution (Londres: Croom Helm, 1979), 16.
[10] William Orme, The Life and Times of the Rev. Richard Baxter: With a Critical Examination of His Writing (Nova York: J. Leavitt, 1831), 346-366.
[11] Goeffrey F. Nuttall, Richard Baxter (Edimburgo: Thomas Nelson and Sons, 1965), 114.
[12] Richard Baxter, The Reformed Pastor: A Pattern for Personal Growth and Ministry, James M. Houston, ed. (Grand Rapids: Zondervan, 1986), 3.
[13] Ibid.
[14] James M. Houston, “Editor’s Note About Baxter and the Relevance of The Reformed Pastor”, em The Reformed Pastor: A Pattern for Personal Growth and Ministry, James M. Houston, ed. (Grand Rapids: Zondervan, 1986), xi.
[15] Baxter, Reformed, 3-62.
[16] Ibid., 85-117.
[17] Baxter, Reformed, 10. Todas as citações das Escrituras são da “English Standard Version”, salvo indicação em contrário.
[18] Ibid., 4. Provérbios 28.13: “Quem esconde os seus pecados não prospera, mas quem os confessa e os abandona encontra misericórdia.”
[19] Ibid., 27. Daniel 12.3: “Aqueles que são sábios reluzirão como o fulgor do céu, e aqueles que conduzem muitos à justiça serão como as estrelas, para todo o sempre.”
[20] Ibid.
[21] Ibid., 28.
[22] Ibid., 29. Romanos 2.21-23: “E então? Você, que ensina os outros, não ensina a si mesmo? Você, que prega contra o furto, furta? Você, que diz que não se deve adulterar, adultera? Você, que detesta ídolos, rouba-lhes os templos? Você, que se orgulha da Lei, desonra a Deus, desobedecendo à Lei?”
[23] Baxter, Reformed, 29. 2 Pedro 2.17-19: “Esses homens são fontes sem água e névoas impelidas pela tempestade. A escuridão das trevas lhes está reservada, pois eles, com palavras de vaidosa arrogância e provocando os desejos libertinos da carne, seduzem os que estão quase conseguindo fugir daqueles que vivem no erro. Prometendo-lhes liberdade, eles mesmos são escravos da corrupção, pois o homem é escravo daquilo que o domina.”
[24] Ibid.
[25] Ibid. Romanos 6.16: “Não sabem que, quando vocês se oferecem a alguém para lhe obedecer como escravos, tornam-se escravos daquele a quem obedecem: escravos do pecado que leva à morte, ou da obediência que leva à justiça?”
[26] Ibid., 41.
[27] Ibid., 30. 2 Pedro 3.11: “Visto que tudo será assim desfeito, que tipo de pessoas é necessário que vocês sejam? Vivam de maneira santa e piedosa”.
[28] Baxter, Reformed, 33.
[29] Ibid. Tiago 1.22-25: “Sejam praticantes da palavra, e não apenas ouvintes, enganando-se a si mesmos. Aquele que ouve a palavra, mas não a põe em prática, é semelhante a um homem que olha a sua face num espelho e, depois de olhar para si mesmo, sai e logo esquece a sua aparência. Mas o homem que observa atentamente a lei perfeita, que traz a liberdade, e persevera na prática dessa lei, não esquecendo o que ouviu mas praticando-o, será feliz naquilo que fizer”.
[30] Ibid., 38. 1 Samuel 2.29: “Por que vocês zombam de meu sacrifício e da oferta que determinei para a minha habitação? Por que você honra seus filhos mais do que a mim, deixando-os engordar com as melhores partes de todas as ofertas feitas por Israel, o meu povo?”
[31] Ibid.
[32] Ibid. 2 Samuel 12.11-14: “Assim diz o Senhor: ‘De sua própria família trarei desgraça sobre você. Tomarei as suas mulheres diante dos seus próprios olhos e as darei a outro; e ele se deitará com elas em plena luz do dia. Você fez isso às escondidas, mas eu o farei diante de todo o Israel, em plena luz do dia’”. Então Davi disse a Natã: “Pequei contra o Senhor!” E Natã respondeu: “O Senhor perdoou o seu pecado. Você não morrerá. Entretanto, uma vez que você insultou o Senhor, o menino morrerá”
[33] Baxter, Reformed, 38.
[34] Ibid., 33-34. Mateus 7.21-23: “Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres?’ Então eu lhes direi claramente: Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês, que praticam o mal!”
[35] Ibid.
[36] Richard Baxter, “Directions to Unconverted, Graceless Sinners, for the Attainment of Saving Grace”, em A Christian Directory, or A Body of Practical Divinity and Cases of Conscience, Volume 1: Christian Ethics (Londres: Richard Edwards, 1825), 1-2. 2 Coríntios 5.18-20: “Tudo isso provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, 19 ou seja, que Deus em Cristo estava reconciliando consigo o mundo, não levando em conta os pecados dos homens, e nos confiou a mensagem da reconciliação. 20 Portanto, somos embaixadores de Cristo, como se Deus estivesse fazendo o seu apelo por nosso intermédio. Por amor a Cristo lhes suplicamos: Reconciliem-se com Deus.”
[37] Ibid.
[38] Baxter, Reformed, 5.
[39] Ibid.
[40] Ibid., 71-72. Lucas 15.4: “Qual de vocês que, possuindo cem ovelhas, e perdendo uma, não deixa as noventa e nove no campo e vai atrás da ovelha perdida, até encontrá-la?”
[41] Ibid., 70.
[42] Baxter, Reformed, 70.
[43] Ibid., 72. Ezequiel 33.14-15: “E, se você disser ao ímpio: Certamente você morrerá, mas ele se desviar do seu pecado e fizer o que é justo e certo; se ele devolver o que apanhou como penhor de um empréstimo, se devolver o que roubou, se agir segundo os decretos que dão vida e não fizer mal algum, é certo que viverá; não morrerá”.
[44] Ibid., 73.
[45] Richard Baxter, “The Cure of Depression and Excessive Sorrow” (Apollo, PA: Ichthus Publications, 2015), 41.
[46] Ibid.
[47] Ibid. Filipenses 3.8: “Mais do que isso, considero tudo como perda, comparado com a suprema grandeza do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor, por quem perdi todas as coisas. Eu as considero como esterco para poder ganhar Cristo.”
[48] Ibid.
[49] Baxter, “Reformed”, 72. Colossenses 1.28-29: “Nós o proclamamos, advertindo e ensinando a cada um com toda a sabedoria, para que apresentemos todo homem perfeito em Cristo. Para isso eu me esforço, lutando conforme a sua força, que atua poderosamente em mim.”
[50] Ibid., 73.
[51] Baxter, “Directions”, 14-15.
[52] Ibid., 14. 2 Coríntios 4.3-4: “Mas se o nosso evangelho está encoberto, para os que estão perecendo é que está encoberto. O deus desta era cegou o entendimento dos descrentes, para que não vejam a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus.”
[53] Ibid.
[54] Ibid., 15. João 3.3-5: “Em resposta, Jesus declarou: “Digo-lhe a verdade: Ninguém pode ver o Reino de Deus, se não nascer de novo”. Perguntou Nicodemos: “Como alguém pode nascer, sendo velho? É claro que não pode entrar pela segunda vez no ventre de sua mãe e renascer!” Respondeu Jesus: “Digo-lhe a verdade: Ninguém pode entrar no Reino de Deus, se não nascer da água e do Espírito.’”
[55] Baxter, “Directions”, 15-16.
[56] Baxter, “Reformed”, 72. Hebreus 13.17: “Obedeçam aos seus líderes e submetam-se à autoridade deles. Eles cuidam de vocês como quem deve prestar contas. Obedeçam-lhes, para que o trabalho deles seja uma alegria e não um peso, pois isso não seria proveitoso para vocês.”
[57] Ibid., 73.
[58] Ibid.
[59] Ibid. Atos 26.15-18: “Então perguntei: Quem és tu, Senhor? “Respondeu o Senhor: ‘Sou Jesus, a quem você está perseguindo. Agora, levante-se, fique em pé. Eu lhe apareci para constituí-lo servo e testemunha do que você viu a meu respeito e do que lhe mostrarei. Eu o livrarei do seu próprio povo e dos gentios, aos quais eu o envio para abrir-lhes os olhos e convertê-los das trevas para a luz, e do poder de Satanás para Deus, a fim de que recebam o perdão dos pecados e herança entre os que são santificados pela fé em mim.’”
[60] Baxter, Reformed, 22. Gálatas 4.19: “Meus filhos, novamente estou sofrendo dores de parto por sua causa, até que Cristo seja formado em vocês.”
[61] Ibid., 11.
[62] Ibid., 22. Êxodo 32.31-32: “Assim, Moisés voltou ao Senhor e disse: “Ah, que grande pecado cometeu este povo! Fizeram para si deuses de ouro. Mas agora, eu te rogo, perdoa-lhes o pecado; se não, risca-me do teu livro que escreveste.’”
[63] Ibid.
[64] Baxter, Reformed, 6.
[65] Ibid., 5.
[66] Ibid., 5-6.
[67] Ibid., 6.
[68] Ibid.
[69] Baxter, Reformed, 6.
[70] Richard Baxter, “A Disputation, or Arguments to prove the Necessity of Family Worship and Holiness, or Directions against the Cavils of the Profane, and some Sectaries, who deny it to be a Thing required by God”, em A Christian Directory, or A Body of Practical Divinity and Cases of Conscience, Volume 3: Christian Economics (Londres: Richard Edwards, 1825), 53.
[71] Ibid.
[72] Baxter, “A Disputation”, 53.
[73] Ibid.
[74] Baxter, Reformed, Apêndices, III. “Objections to Baxter’s Reformed Pastor”, 147-151.
[75] Baxter, Reformed, 124.
[76] Ibid., 84.
[77] Ibid.
[78] Baxter, Reformed, 82.
[79] Ibid., 84. 1 Timóteo 5.20: “Os que pecarem deverão ser repreendidos em público, para que os demais também temam.” Tito 2.15: “É isso que você deve ensinar, exortando-os e repreendendo-os com toda a autoridade. Ninguém o despreze.”
[80] Ibid., 82. Gálatas 2.11,14: “Quando, porém, Pedro veio a Antioquia, enfrentei-o face a face, por sua atitude condenável [...]. Quando vi que não estavam andando de acordo com a verdade do evangelho, declarei a Pedro, diante de todos: “Você é judeu, mas vive como gentio e não como judeu. Portanto, como pode obrigar gentios a viverem como judeus?’”
[81] Ibid. 2 Tessalonicenses 3.6: “Irmãos, em nome do nosso Senhor Jesus Cristo nós lhes ordenamos que se afastem de todo irmão que vive ociosamente e não conforme a tradição que vocês receberam de nós.”
[82] Ibid. 2 Tessalonicenses 3.13-15: “Quanto a vocês, irmãos, nunca se cansem de fazer o bem. Se alguém desobedecer ao que dizemos nesta carta, marquem-no e não se associem com ele, para que se sinta envergonhado; contudo, não o considerem como inimigo, mas chamem a atenção ele como irmão.”
[83] Ibid. 1 Coríntios 5.11-13: “Mas agora estou lhes escrevendo que não devem associar-se com qualquer que, dizendo-se irmão, seja imoral, avarento, idólatra, caluniador, alcoólatra ou ladrão. Com tais pessoas vocês nem devem comer. Pois, como haveria eu de julgar os de fora da igreja? Não devem vocês julgar os que estão dentro? Deus julgará os de fora. “Expulsem esse perverso do meio de vocês.’”
[84] Baxter, Reformed, 103. Apocalipse 2.20: “No entanto, contra você tenho isto: você tolera Jezabel, aquela mulher que se diz profetisa. Com os seus ensinos, ela induz os meus servos à imoralidade sexual e a comerem alimentos sacrificados aos ídolos.”
[85] Ibid.
[86] Ibid.
[87] Ibid., 19.
[88] Ibid., 7.
[89] Ibid., 46.
[90] Ibid.
[91] Baxter, “Directions”, 3.
[92] Baxter, Reformed, 16-17.
Direitos autorais ©2026 pela Association of Certified Biblical Counselors. Publicado pela Association of Certified Biblical Counselors www.biblicalcounseling.com. 5401 North Oak Trafficway. Kansas City, Missouri. 64118, EUA. Este texto é uma tradução de um ensaio originalmente publicado pela ACBC. A tradução foi realizada com autorização da ACBC; no entanto, a entidade não se responsabiliza pela precisão nem pela fidelidade do conteúdo traduzido.
